Mobilidade social na obra de Josué de Castro (ou como vencer o ciclo do caranguejo)

Na obra de Josué de Castro a paisagem urbana do Recife, especificamente o mangue, serve como pano de fundo para o desenvolvimento de variados temas de pesquisa. Melo Filho (2003) expõe quatro olhares de Josué sobre o mangue: como ancestral do Recife; como fábrica de vida e exemplo de equilíbrio ecológico; como fonte de conhecimento e como lugar dos excluídos. Interessa-nos, sobretudo, a quarta perspectiva.
Considerando a ocupação do espaço urbano do Recife, o mangue abrigaria uma parcela numerosa da população expulsa pelo latifúndio e pelas inúmeras secas que abateram a região Nordeste: “Além dos que emigravam da zona do açúcar, por motivos vários, deve-se acrescentar os que desciam expulsos pelas secas do outro Nordeste, o do sertão semi-árido” (CASTRO, 1948:74).
De forma contundente em Homens e Caranguejos (CASTRO, 1967), o mangue da exclusão social emerge como uma imagem síntese das contradições do modo capitalista de produção em sua face mais perversa, ou seja, aquela que se manifesta na periferia do sistema, no denominado “terceiro mundo”. Além da descrição, a própria dinâmica do fenômeno é examinada no livro em questão.
O homem-caranguejo, essa figura idílica, que habita e que acaba por se enraizar nos mangues:
“à medida que iam crescendo, iam cada vez se atolando mais na lama. Parecia que a vegetação densa dos mangues, com seus troncos retorcidos, com o emaranhado de seus galhos rugosos e a densa rede de suas raízes perfurantes os tinha agarrado definitivamente como um polvo, enfiando tentáculos invisíveis por dentro de sua carne, por todos os buracos de sua pele: pelos olhos, pela boca, pelos ouvidos.” (CASTRO, 1967:13)
O pensamento de Josué de Castro, comunicado por meio de seus livros e artigos, buscou desnaturalizar a fome e, por conseguinte, a desigualdade social, disse ele: “Denunciei a fome como flagelo fabricado pelos homens, contra outros homens”. É interessante investigar como Castro vislumbra a possibilidade dos homens-caranguejos romperem as “ventosas (…) dos mangues insaciáveis que lhes sugavam todo o suco da sua carne e da sua alma de escravos” (CASTRO, 1967:14) ou, em outras palavras, como a mobilidade social seria possível nessa sociedade marcada pelo traço do escravismo, do latifúndio e do patriarcado.

Objetivo Geral: Compreender a questão da mobilidade social na obra de Josué de Castro.

Objetivos Específicos:

– Estudar as principais teorias sobre mobilidade social;
– Selecionar obras de Josué de Castro que abordem, ainda que não diretamente, aspectos ligados ao debate sobre a mobilidade social;
– Situar os estudos de Josué de Castro em relação ao debate teórico sobre a mobilidade social.
– Divulgar entre os estudantes do ensino médio a produção científica do autor.

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